Indira

Eis que Jussara Santos agora ela nos surpreende com uma narrativa dirigida ao público infanto-juvenil. Diferente dos contos reunidos em De flores artificiais (2002) e com afago & margaridas (2006), que provocam reflexão e denunciam o preconceito e as condições precárias da vida na periferia, esta narrativa surge com um outro compromisso: o de enternecer o jovem leitor e despertar nele novas emoções. Fazendo uso de uma linguagem acessível e coloquial, mas também poética, a história gira em torno do cotidiano infantil com suas brincadeiras, amizades e rotina escolar, até trazer à superfície da narrativa as dificuldades financeiras dos mais velhos, que acabam interferindo na vida dos filhos. A história da amizade entre Washington e Indira, que aos poucos se transforma em história de primeiro amor, surge em cena devagar e delicadamente. A curiosidade em torno de seus nomes, mais o mistério da nomeação, encobre, de certa forma, o outro mistério: a descoberta de um novo sentimento. Quando se separam, e Washington revela a origem do nome Indira, faltou dizer que além do nome de uma grande mulher – Indira Ghandi – significava também, em sânscrito, pura, “pura beleza”, e, assim, reafirmar ainda mais o seu amor.

Com certeza, o jovem leitor tem muito a ganhar com este relato singelo, narrado do ponto de vista da menina que experimenta a chegada do amor.

Constância Lima Duarte

Professora de Literatura Brasileira da UFMG

Samba de Santos

Escrever é tarefa sinuosa. Jussara Santos tem feito isso sempre com paciência e maestria. Não que a paciência seja para nós uma virtude inata, pois no que diz respeito à escrita é sempre tortuoso aprendizado: estar em paz com a linguagem é, enfim, sempre conseguir se traduzir e dizer-se?

Grata surpresa terá o público leitor que se presentear com os poemas deste volume. A escritora abre, aos poucos, o sagrado baú de si mesma: a sóbria delicadeza da superação de etapas tanto em seu processo criativo quanto em relação à tessitura das memórias individual e coletiva.

Qual samba é composto por esses afro-mineiros versos? Samba-canção, samba-blues, samba de roda – quando a deusa dos raios se faz presente? – ou todos estes simultaneamente?

O amor martela sua suave assinatura num jogo simultâneo de recordação e esquecimento, em que cada um dos dois elementos preenche, ou tenta, as lacunas deixadas pelo outro.

Venham dançar ao sabor dos versos deste Samba, cadenciado pelos ventos e pela memória

 

Prof. Adélcio de Souza Cruz

(Departamento de Letras da Universidade Federal de Viçosa)

De flores artificiais

Jussara Santos escreve contos e agora os reparte com seus leitores. Nessa escrita, como a personagem do conto “Das duas palavras ditas ao Coronel”, a autora busca as palavras certas e nos envolve em sua busca. Busca-as nas vísceras de animais mortos e nas vísceras da sociedade, morta-viva, a expelir moradores; busca-as no dourado do dia, marcado pelo pêssego/amor sumarento ou nos fios de cabelos trançados com a história de gerações várias, unindo búzios e microchips. Nessa busca, percorre caminhos vários. De um lado, o voo suicida do Sr. Smith faz-se metonímia da morte social trazida no bojo da discriminação, enquanto as botas dos caçadores de crianças de pés descalços concretizam o poder/poderes em sua dimensão de sete léguas. De outro lado, a força do caroço de pêssego cuspido ou as arranhaduras das unhas vermelhas nas costas nuas exibem a força da vida no amor visceral. A palavra dos vivos unida à dos mortos ou o silêncio coletivo dos meninos perseguidos indiciam a possibilidade da resistência. Mas não há dicotomias: lixo e flores, suor e lágrima, deslizam nos textos escondendo a palavra buscada, marcada pelo vômito/poesia.

O leitor, percorrendo essas trilhas, surpreende-se com as histórias curtas e fortes, a deflagrar pensamento e reflexões. É que os contos são como as vísceras que que se davam a ler nos rituais de magia e adivinhação, mas, mais ainda que o futuro, ali se vê o outro, com seus cheiros e cores, a desafiar ou a “desafinar o coro dos contentes”.

 

Ivete Lara Camargos Walty

Crespim

Anjo tem sexo? Sim, pode ter. O anjinho criado por Jussara Santos não só é um menino, como tem cor e é o cabelo crespo que sugere seu nome – Crespim.

As demais personagens, como sua madrinha, a anja Carlota, e o casal de enamorados – Amélia e João – também trazem na pele a descendência afro. Mas não é isso que está no centro da narrativa. O novo livro e Jussara explora o universo infantil com sensibilidade e lirismo, através de uma narrativa ágil, estilo coloquial e poético, bom humor e jogos de palavras. A história, na verdade, fala de forma divertida do amor, da timidez, e de como as pessoas são diferentes.

Livros como este, que buscam a valorização da diversidade, são muito bem-vindos, pois celebram a cultura afro-brasileira no âmbito da formação da criança.

Constância Lima Duarte

Professora de Literatura Brasileira da UFMG

Minas em mim

MINAS EM MIM é uma ideia original, que tem tudo para dar certo. No entanto, precisa ser cultivada para desabrochar no cenário cultural... Alguns poemas conseguiram se destacar pela originalidade e belas imagens poéticas que revelaram. Fato digno de nota, nenhum dos finalistas é reconhecido no meio literário.

Como fruto desse projeto, foi desenvolvido o livro, ao qual traz em si poemas dos mais diversos segmentos.

Jussara Santos, Alzira Ribeiro, Eugênio Magno e João Victor Velloso recheiam a obra com diversas obras nas quais há de destacar que são 71 páginas de pura diversão e reflexão.

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